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O seleccionador nacional de futsal, Naymo Abdul, que colocou seu lugar à disposição, depois do fracasso do último Campeonato Africano das Nações, que decorreu no Marrocos mês passado, diz que a sua decisão foi tomada a quente, num momento de muita agitação, mas que continua disponível a trabalhar com a Federação Moçambicana de Futebol em qualquer posição onde seja colocado

Naymo Abdul falou dos resultados alcançados em Marrocos, do seu lugar colocado à disposição logo a seguir ao desaire de Moçambique, que em três jogos sofreu igual número de derrotas, durante uma entrevista concedida ao canal desportivo da Rádio Moçambique, no passado sábado. O seleccionador nacional demissionário, revelou ter colocado o lugar à disposição ao presidente da Federação Moçambicana de Futebol de cabeça quente, tendo dito ainda que está apto a continuar a dar o seu contributo ao futsal nacional seja como seleccionador ou noutras funções dentro da federação.

Segundo o próprio, na referida entrevista, o presidente de Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, terá o abordado do interesse de continuar a contar com os seus préstimos ao serviço da FMF, com responsabilidades de reestruturar a modalidade, mas sem ter dado ainda a resposta. “Ainda preciso de um período para analisar as coisas e repensar no futuro. Não é fácil ir a uma competição e sair de lá sem ganhar um jogo sequer”, referiu Naymo à RMD, sem contudo descartar a possibilidade de continuar, afinal “posso ficar pela causa da nação. Acho isso ser o mais importante do que tudo”.

Para Naymo Abdul, só ficaria na condição de apresentar suas próprias propostas para mudar a situação actual e colocar a modalidade nos patamares que considera que merece estar, depois de ter disputado um campeonato do mundo, em 2017. E revela: “primeiro, pediria ao Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a repor o futsal nos Festival dos Jogos Desportivos Escolares”, tendo em conta que alguns jogadores que fazem parte da actual seleccão foram descobertos nesta competição inter-escolar que teve lugar em 2011, última edição com esta modalidade. Mas também “pediria para que se alterasse o paradigma do futsal moçambicano”, ou seja, se no passado haviam muitas equipas a praticar a modalidade a nível nacional, onde haviam até camadas de formação e “hoje já não temos nada disso. Até futsal feminino tínhamos. Temos de repensar na formação de jogadores e de treinadores de futsal”, propõe Naymo Abdul como forma de reverter o cenário da modalidade no país.

Mas não só isso seria suficiente. O contacto internacional é outra das propostas de Naymo para que a selecção tenha sucessos na sua caminhada. “No meu plano de actividades, coloco anualmente duas participações das selecções nacionais em torneios internacionais, para dar mais ritmo competitivo aos meus atletas. Isso dar-me-ia mais opções de conhecer os nossos atletas”, comentou, lamentando o facto de nos quatro anos em que esteve a frente dos destinos da selecção nacional, esta só ter disputado apenas dois torneios, de um total de oito programados.

“Se o tempo voltasse mudaria a convocatória”
Ainda na mesma entrevista concedida ao canal desportivo da Rádio Moçambique, Naymo Abdul falou do desaire em Marrocos, tendo culpado a falta de competições e jogos de controlo para que o país tivesse tido outros resultados. Para o seleccionador nacional demissionário, a selecção precisa participar em mais torneios internacionais, tal como aconteceu com algumas selecções que estiveram lá. “Repare que Marrocos e Egipto participaram, só no ano passado, em cerca de sete competições internacionais”, desabafa.
Quanto aos convocados, Naymo diz que a priori sentiu confortável com os jogadores que levava a Marrocos, tendo em conta que foram os mesmos com quem contou no torneio internacional que teve lugar na África do Sul, em Julho do ano passado. Com esses, a selecção ainda empatou com o Egipto, o que dava muitas garantias ao seleccionador nacional, mas “chegados em Marrocos, tudo mudou de figura. Estivemos apáticos nos primeiros dois jogos e, quando acordamos, para o terceiro, já era tarde demais. Estávamos eliminados e só cumpríamos calendário”, revela Naymo Abdul.

Face a este cenário, Abdul diz que se o tempo voltasse não confiaria aos mesmos jogadores que levou ao CAN de Marrocos. “Não confiaria em todos os convocados que levei a Marrocos. Não levaria alguns. A título de exemplo, faltou-me Caló que parou durante muito tempo devido a uma lesão e o Ricardo, a contas com uma lesão em Portugal”, disse Naymo para confirmar a falta de atitude dos jogadores nesta competição.

Naymo termina a entrevista abordando a derrota vergonhosa diante de Angola, nos seguintes termos: “Eles têm jogadores com muita qualidade e muito tecnicistas”.

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